Altas temperaturas aumentam esforço cardiovascular e exigem cuidados no dia a dia
Especialista explica como o calor intenso impacta o sistema cardiovascular e orienta sobre dicas essenciais para esse período
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Com a chegada do verão e das ondas de calor em diversas regiões do país, especialistas reforçam a importância de atenção aos impactos da temperatura elevada sobre o sistema cardiovascular, especialmente entre pessoas com doenças pré-existentes.
Segundo o cardiologista do Hospital Vitória Anália Franco, Miguel Antonio Moretti, o calor intenso provoca adaptações fisiológicas que demandam maior esforço do coração. “Quando está muito quente, os vasos se dilatam e a pressão tende a cair. Para compensar, o coração precisa bater mais rápido e trabalhar mais”. Exemplos são as pessoas com doenças cardíacas, que essa capacidade de adaptação é reduzida. “O coração cansa mais rápido e isso pode levar à falta de ar, arritmias, piora da pressão e até infarto, principalmente se houver desidratação”, explica.
A perda de eletrólitos pelo suor, como sódio e potássio, também pode favorecer arritmias e outros distúrbios.
Sinais de alerta
Entre os sintomas que podem indicar sobrecarga cardíaca durante o calor estão falta de ar fora do padrão, cansaço excessivo, tontura, sensação de desmaio, batimentos acelerados ou irregulares, dor no peito e inchaço nas pernas. O especialista reforça que a sede não é um sinal confiável de hidratação adequada. “A sede é um sintoma tardio. Não devemos esperar sentir sede para beber água”, orienta.
Qualquer alteração desses sinais em períodos de calor deve ser observada e comunicada ao médico. “Muitas vezes não é só o calor — é o coração pedindo atenção”, completa.
Pressão arterial no verão
Manter a pressão arterial controlada em dias quentes requer medidas simples, mas essenciais. A orientação inclui hidratação frequente, evitar exposição ao sol forte, manter horários regulares de alimentação e seguir as medicações prescritas.
O cardiologista destaca que alguns medicamentos para hipertensão podem reduzir demais a pressão no calor. Por isso, a recomendação é medir a pressão em casa e buscar orientação médica antes de qualquer ajuste. “Ajustes devem ser feitos apenas pelo médico, nunca por conta própria”, reforça.
Cuidados para idosos e hipertensos
Idosos e crianças apresentam menor percepção de sede e maior perda de água, o que aumenta o risco de queda da pressão e mal-estar. Além disso, a termorregulação é menos eficiente nesses grupos.
Portanto, as recomendações incluem hidratação regular, uso de roupas leves, evitar exposição nos horários mais quentes, permanência em locais frescos e uso de protetor solar. Em pessoas com hipertensão, sintomas como tontura, fraqueza e sonolência exigem atenção. “No calor, pequenas alterações podem causar grandes problemas. Hidratação e monitoramento da pressão são essenciais”, orienta.
Atividade física em altas temperaturas
Quanto à prática de exercício físico é recomendada, desde que seja realizada em condições adequadas. “A orientação também é buscar uma consulta médica para avaliação clínica individual. Em relação aos horários, os mais indicados são início da manhã ou fim da tarde, quando a temperatura é mais amena”, finaliza o cardiologista.