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Eye Clinic

 

Retinopatia diabética pode avançar sem sintomas e ameaçar a visão de forma irreversível

Complicação do diabetes compromete atividades cotidianas e reforça a importância do acompanhamento oftalmológico preventivo

 

Ler mensagens no celular, dirigir à noite ou reconhecer rostos à distância podem se tornar desafios para pessoas com diabetes que desenvolvem complicações oculares. Entre elas, a retinopatia diabética se destaca como uma das principais causas de perda visual evitável e ainda representa um desafio importante de diagnóstico precoce.

A doença surge quando níveis elevados de glicose no sangue, mantidos ao longo do tempo, provocam danos progressivos nos pequenos vasos da retina, tecido localizado no fundo do olho responsável pela formação das imagens. Sem controle adequado, essas alterações podem evoluir silenciosamente e comprometer a visão de forma permanente.

Os sinais mais comuns incluem vista embaçada, dificuldade de adaptação a ambientes escuros, pontos escuros no campo visual e dificuldade para leitura. Ainda assim, a ausência de sintomas nas fases iniciais faz com que muitos pacientes deixem o acompanhamento oftalmológico em segundo plano.

Segundo a oftalmologista da Eye Clinic, Simone Vieira, um dos maiores obstáculos está justamente no caráter silencioso. “Essa doença pode evoluir durante anos sem provocar sintomas evidentes. Muitas pessoas continuam enxergando aparentemente bem enquanto a retina já apresenta lesões importantes. Quando surgem alterações mais perceptíveis, como visão borrada ou perda de nitidez, o quadro pode estar em estágio avançado”, explica.

No Brasil, a retinopatia diabética segue subdiagnosticada. Para a especialista, ainda persiste a percepção equivocada de que o oftalmologista deve ser procurado apenas diante de queixas visuais. “O exame oftalmológico deve fazer parte do tratamento de rotina do diabetes. Hoje conseguimos identificar sinais precoces e iniciar intervenções antes que ocorra perda visual importante”, afirma.

O risco de comprometimento ocular aumenta conforme o tempo de convivência com o diabetes e o controle inadequado da glicemia. Dados do Ministério da Saúde indicam que após cinco anos da doença ao menos 10% dos pacientes podem apresentar algum grau de retinopatia diabética, o que reforça a necessidade de avaliação oftalmológica periódica, independentemente da presença de sintomas.

Os números tendem a crescer ao longo do tempo. Após duas décadas de diabetes, cerca de 70% das pessoas com diabetes tipo 1 desenvolvem algum grau de alteração retiniana, percentual que chega a aproximadamente 35% entre pacientes com diabetes tipo2. “A saúde dos olhos também pode funcionar como um alerta para outras complicações do diabetes. Isso porque os vasos sanguíneos da retina compartilham características anatômicas semelhantes às da circulação renal”, ressalta Simone.

 

Prevenção e tratamento

Os vasos da retina possuem uma característica única, pois são os únicos do organismo que podem ser visualizados diretamente de forma simples e não invasiva. Portanto, exames como o mapeamento de retina e a retinografia permitem identificar alterações vasculares precoces e documentar a evolução do quadro, auxiliando não apenas o oftalmologista, mas também outros especialistas envolvidos no tratamento do diabetes.

O tratamento da retinopatia diabética varia conforme o estágio da doença e pode incluir aplicação de laser, injeções intraoculares ou procedimentos cirúrgicos voltados ao controle de hemorragias e preservação da retina.

Para Simone Vieira, porém, a principal ferramenta continua sendo a prevenção. “O diagnóstico precoce ainda é o que mais protege a visão. Quando o diabetes é acompanhado de forma multidisciplinar, envolvendo endocrinologista, nutricionista e oftalmologia, aumentam as chances de preservar a saúde ocular e a qualidade de vida do paciente. Muitas vezes, um simples exame pode ser decisivo para evitar a cegueira”, conclui.