Especialistas da Rede Total Care reforçam que experiências traumáticas elevam o risco de transtornos mentais e físicos
Ao contrário do senso comum, experiências difíceis, sobretudo na infância, ampliam de maneira significativa o risco de adoecimento psíquico na vida adulta

Rio de Janeiro, RJ- Você provavelmente já ouviu a frase “o que não mata fortalece”. Mas a ciência vem demonstrando, de forma cada vez mais consistente, que essa ideia não se sustenta. No Janeiro Branco, mês dedicado à prevenção em saúde mental, a Rede Total Care faz um alerta contundente: ao contrário do senso comum, experiências difíceis, sobretudo na infância, ampliam de maneira significativa o risco de adoecimento psíquico na vida adulta, acendendo o alerta para a quebra de tabus e ampliação do cuidado acerca da saúde mental.
Um estudo recente publicado no Australian & New Zealand Journal of Psychiatry analisou a prevalência de eventos potencialmente traumáticos na infância e sua relação com transtornos mentais, risco de suicídio e problemas de saúde física ao longo da vida.
Segundo a pesquisa, adultos que vivenciaram traumas antes dos 18 anos têm maior probabilidade de desenvolver transtornos mentais. As associações encontradas incluem aumento de risco para depressão, ansiedade, transtorno de estresse pós-traumático, uso problemático de substâncias e comportamento suicida. A exposição precoce também esteve ligada a piores indicadores de saúde física na idade adulta.
“O trauma não constrói resiliência. O que ele faz é obrigar a pessoa a criar uma espécie de máscara de sobrevivência para continuar vivendo. Essa adaptação rígida não é força: é defesa. E, na vida adulta, ela pode se transformar em ansiedade, depressão, impulsividade, dificuldade de confiança e até risco aumentado de suicídio”, explica o coordenador de saúde mental da Rede Total Care, Dr. Maurício Okamura.
Os eventos analisados no estudo incluem situações como violência, abuso físico ou sexual, acidentes graves, exposição a desastres e outras experiências classificadas como potencialmente traumáticas. A intensidade dos impactos varia conforme fatores como número de eventos vividos, idade da ocorrência e disponibilidade de apoio social.
O psiquiatra ressalta que os resultados reforçam a necessidade de políticas públicas voltadas para identificação precoce, acolhimento psicológico e estratégias de prevenção, especialmente no contexto brasileiro. “A relação entre trauma na infância e doenças graves na vida adulta não é exclusiva da Austrália; ela é uma lei universal do desenvolvimento humano. Em países com maior desigualdade social e exposição à violência, como o Brasil, é provável que a frequência e a intensidade desses traumas sejam ainda maiores.”
Ele destaca que o rastreio de trauma deveria fazer parte das rotinas de saúde, acompanhado da capacitação de equipes de saúde e educação para atuarem como portos seguros, oferecendo apoio e cuidado às crianças em situações adversas.
Os dados nacionais reforçam a urgência. Em 2025, o Brasil manteve um dos maiores índices globais de ansiedade: cerca de 26,8% da população, aproximadamente 56 milhões de pessoas, segundo a Organização Mundial da Saúde, convive com o transtorno. A depressão também segue em alta, com crescimento entre adolescentes e adultos: um estudo recente da Fiocruz indica que a população jovem apresenta maior risco de suicídio, de 31,2 para cada 100 mil habitantes, acima da taxa geral da população, que é de 24,7 por 100 mil habitantes. Entre homens jovens, o risco sobe para 36,8.
No ambiente de trabalho, o impacto é evidente. Em 2024, transtornos mentais foram responsáveis por 472.328 afastamentos, o maior volume dos últimos dez anos, com aumento de 68% em relação a 2023, segundo o Ministério do Trabalho. Episódios depressivos e transtornos de ansiedade lideram os motivos.
“Esses números mostram que estamos diante de um adoecimento silencioso, porém massivo. As pessoas estão esgotadas, e muitas adoecem justamente porque nunca puderam reconhecer ou tratar seus traumas”, afirma Okamura.
Prevenção, cuidado e caminhos de apoio
A prevenção passa por fortalecer vínculos, criar ambientes seguros em casa, na escola e no trabalho, e oferecer espaços de escuta qualificada. Entre os sinais de alerta estão irritabilidade, isolamento, tristeza persistente, dificuldade de concentração, alterações no sono, queixas físicas recorrentes e mudanças bruscas de comportamento.
O diretor médico de ambulatório psiquiátrico da Rede Total Care, Diego Garcia, reforça que, ao identificar esses sintomas, a orientação é buscar atendimento especializado. A Rede disponibiliza um serviço específico de acolhimento a pessoas em sofrimento psíquico por meio do Pronto Atendimento Psicológico.
“O serviço é pensado para intervir de imediato, reduzir riscos e organizar o próximo passo com clareza. O fluxo começa com uma avaliação médica atenta, segue com o acolhimento psicológico e utiliza protocolos de classificação de risco que tornam as decisões mais seguras e padronizadas. Os resultados mostram o impacto dessa abordagem. Em 95,3% dos atendimentos, conseguimos estabilizar o quadro e encaminhar o paciente para seguimento, sem necessidade de pronto-socorro presencial. Isso significa eficiência, mas, sobretudo, significa proteção”, afirma.
Sobre a Rede Total Care
A Rede Total Care, do Grupo Amil, é um conjunto de hospitais e serviços de saúde que tem como missão oferecer uma assistência médica de alta qualidade, focada na inovação, eficiência e no cuidado humanizado aos seus pacientes. Com o objetivo de transformar a experiência no setor de saúde, a Rede Total Care proporciona um atendimento completo, desde a prevenção até o tratamento especializado, com a garantia de profissionais altamente capacitados e infraestrutura de ponta.