Carreira e inclusão: histórias que mostram o valor da diversidade no mercado de trabalho
Pessoas com deficiência demonstram a forma encontrada para reconstruir trajetórias, mostrando os desafios e as possibilidades de inclusão no trabalho

Rio de Janeiro, RJ - Desde criança, o gerente de Fiscalização e Tributos, Márcio dos Santos Silva, percebia que havia algo diferente na forma como enxergava o mundo e se relacionava com as pessoas. Algumas situações do cotidiano pareciam exigir dele um esforço maior do que dos demais, mas, durante muitos anos, ele não sabia explicar exatamente o porquê. Foi apenas há cerca de três anos, já adulto, que recebeu o diagnóstico de autismo nível 1 de suporte.
Àquela altura, Márcio já estava há quatro anos no Grupo Amil, onde ingressou para atuar no projeto de implantação do SAP. Foi no ambiente de trabalho que começou a compreender sua própria história sob uma nova perspectiva e a perceber que o diagnóstico não precisava representar um limite para sua trajetória profissional.
“Quando recebi o diagnóstico, preferi não falar sobre isso por receio de como poderia repercutir, mas o acolhimento que encontrei na Amil me mostrou que não precisava ter esse medo. Hoje, vejo que compartilhar a minha experiência também pode ajudar outras pessoas a acreditarem que podem ocupar diferentes espaços, inclusive posições de liderança. Para mim, inclusão é entender que cada pessoa tem suas características e necessidades e criar condições para que ela possa desenvolver todo o seu potencial”, afirma Márcio.
A experiência também mudou a forma como ele enxerga o próprio papel de líder. À frente de uma equipe de quase 30 pessoas, sendo quatro delas com deficiência, Márcio procura compreender as características e necessidades de cada profissional para identificar possíveis adaptações e criar condições para que todos possam desempenhar suas atividades.
“A construção de um ambiente inclusivo também passa pelo próprio time e pela existência de pessoas capazes de identificar necessidades, acolher colegas e sinalizar situações que exigem atenção.”
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que 18,6 milhões de pessoas com dois anos ou mais tinham alguma deficiência no Brasil. No mercado de trabalho, porém, a participação dessas pessoas ainda é menor do que a de pessoas sem deficiência.
Nesse cenário, ampliar a inclusão no ambiente corporativo envolve mais do que cumprir as exigências legais. Para as empresas, significa também criar condições para que profissionais com diferentes trajetórias possam ingressar, permanecer, se desenvolver e ocupar posições de liderança.
“Ampliar a presença de pessoas com deficiência em nossos times é parte do compromisso do Grupo Amil com um ambiente de trabalho cada vez mais diverso, inclusivo e preparado para reconhecer diferentes talentos e trajetórias. Queremos oferecer oportunidades reais de desenvolvimento profissional e construir um espaço em que cada pessoa possa contribuir com suas competências e também crescer junto com a empresa”, afirma Ricardo Burgos, vice-presidente de Pessoas e Segurança Corporativa do Grupo Amil.
Atualmente, profissionais com deficiência estão presentes em diferentes áreas do Grupo Amil. A enfermagem concentra 32,7% desse público, seguida por operações, com 24,8%, e clínicas e programas, com 18,2%. Juntas, as três áreas reúnem 75,7% dos profissionais com deficiência considerados no levantamento. Também há presença em áreas como Clientes, Medicina Diagnóstica, Pessoas e Segurança Corporativa, e área Médica.
Entre os profissionais, 51% têm deficiência física, 22,7% deficiência visual e 15,7% deficiência auditiva. As mulheres representam 67% desse grupo e os homens, 33%. Em relação às gerações, 49% são da geração Y, 38% da geração X, 11% da geração Z e 2% são baby boomers. As pessoas com deficiência em posições de liderança representam 4,5% do total analisado.
Caminho de reconstrução
Em 2019, um acidente de moto interrompeu a atuação de Renato Santana como técnico de enfermagem e mudou completamente sua rotina. Com uma nova condição de deficiência física, ele precisou lidar não apenas com as mudanças impostas pelo acidente, mas também com as barreiras para retornar ao mercado de trabalho.
Foi nesse período que encontrou no esporte uma possibilidade de reconstruir sua relação com o próprio corpo, ampliar sua autonomia e retomar projetos pessoais e profissionais. A esgrima surgiu de maneira inesperada e o primeiro contato com a modalidade acabou se transformando em uma nova paixão. Desde então, Renato mantém uma rotina de treinamentos e participa de competições. Atualmente, ocupa o 1º lugar no ranking nacional de sabre, o 2º lugar em espada e o 4º lugar em florete.
No Hospital Luz Vila Mariana, onde trabalha há um ano como analista administrativo, ele também encontrou uma maneira de aproveitar os conhecimentos adquiridos ao longo da carreira na área da saúde, contribuindo com processos relacionados aos protocolos de dor torácica, sepse e acidente vascular cerebral (AVC).
“Hoje, concilio trabalho, treinos e competições. O esporte me trouxe de volta uma sensação de autonomia e me mostrou que eu poderia continuar estabelecendo objetivos e buscando novos desafios. No trabalho, também procuro seguir esse caminho, aprendendo, contribuindo com minha experiência e buscando me desenvolver. Para mim, poder continuar construindo essas duas partes da minha vida representa uma conquista muito importante”, conta Renato.
Para Yuri Messias, diretor do Hospital Luz Vila Mariana, a trajetória de Renato também evidencia como o ambiente de trabalho pode contribuir para que profissionais com deficiência desenvolvam suas potencialidades.
“Ter o Renato em nossa equipe nos mostra, na prática, que inclusão passa por reconhecer o profissional para além da deficiência. Ele traz uma trajetória na área da saúde, conhecimento técnico, experiência e, ao mesmo tempo, uma história de dedicação ao esporte. Nosso papel como liderança é criar um ambiente em que essas diferentes experiências possam ser valorizadas e em que cada profissional tenha condições para desenvolver seu trabalho e seus projetos”, afirma Yuri.
Sobre o Grupo Amil
O Grupo Amil, desde 1978, leva cuidado a milhões de pessoas por meio da Amil, com planos médicos e odontológicos para diferentes perfis de clientes, e da Rede Total Care, sistema de saúde integrado formado por 20 hospitais e mais de 80 unidades ambulatoriais.