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Hospital Carlos Chagas

 

Alzheimer precoce: quando o esquecimento é um sinal de alerta

Forma precoce da doença costuma ser confundida com sobrecarga profissional, ansiedade ou depressão

 

          

Esquecer compromissos, repetir perguntas ou perder o raciocínio durante uma conversa são situações frequentemente atribuídas ao estresse, à ansiedade ou à rotina acelerada. Mas, em alguns casos, esses lapsos podem ser os primeiros sinais do Alzheimer de início precoce, forma da doença que afeta pessoas com menos de 65 anos.

No Brasil, mais de 1,7 milhão de pessoas convivem com o Alzheimer, segundo a Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz). Estima-se que cerca de 70% delas ainda não tenham recebido diagnóstico. Quando os sintomas aparecem antes dos 65 anos, o reconhecimento da doença costuma ser ainda mais difícil.

O Dia Mundial do Alzheimer, celebrado em 21 de setembro, reforça a importância de ampliar a conscientização sobre uma condição que ainda é cercada por desinformação. Como o Alzheimer geralmente é associado ao envelhecimento, pessoas na faixa dos 50 e 60 anos muitas vezes percorrem um longo caminho até chegar ao diagnóstico correto. Não é raro que procurem inicialmente ajuda psicológica ou psiquiátrica, já que as primeiras manifestações podem incluir alterações de humor, comportamento e desempenho profissional, além dos problemas de memória.

Nas formas precoces e mais raras da doença, o comprometimento nem sempre se limita às lembranças recentes. Dificuldades na linguagem, na organização de tarefas e na percepção espacial também podem surgir, tornando fundamental uma avaliação neurológica abrangente diante de sintomas persistentes.

De acordo com Igor Campana, chefe da equipe de neurologia do Hospital Carlos Chagas, o que diferencia o esquecimento comum dos sinais de alerta para Alzheimer não é a frequência dos episódios, mas o padrão com que eles acontecem.

"O esquecimento relacionado ao estresse costuma ser pontual e reversível. A pessoa pode esquecer um compromisso durante uma semana mais intensa, mas continua conseguindo recuperar informações importantes quando presta atenção ou reduz a sobrecarga. No Alzheimer precoce, o problema está na formação de novas memórias. O paciente recebe uma informação, faz a mesma pergunta pouco tempo depois e repete esse comportamento de forma consistente, mesmo em períodos de descanso", explica.

Outro aspecto importante é quem percebe as mudanças primeiro. Em quadros associados ao estresse ou à exaustão, geralmente o próprio indivíduo se mostra incomodado com as falhas de memória. Já nos estágios iniciais do Alzheimer, são familiares, amigos ou colegas de trabalho que costumam notar as alterações.

Segundo o neurologista, isso acontece porque o comprometimento cognitivo pode começar a afetar não apenas a memória, mas também a capacidade de reconhecer as próprias limitações.

Igor Campana ressalta que qualquer alteração cognitiva persistente merece investigação médica, independentemente da idade. "Quanto mais cedo o diagnóstico é feito, maior a oportunidade de o paciente participar das decisões sobre o tratamento e planejar aspectos importantes da vida profissional, financeira e familiar. Esse tempo para se organizar e tomar decisões é um dos recursos mais valiosos que podemos oferecer a quem recebe o diagnóstico ainda em idade produtiva", afirma.

 

Sinais de alerta que merecem avaliação médica

  • Repetir a mesma pergunta ou contar a mesma história várias vezes em um curto espaço de tempo sem perceber
  • Apresentar dificuldade crescente para planejar ou executar tarefas antes consideradas simples, como administrar contas e compromissos
  • Trocar palavras por termos sem relação com o contexto da conversa
  • Perder-se em trajetos conhecidos ou confundir referências familiares
  • Apresentar mudanças de humor ou comportamento associadas às falhas cognitivas
  • Receber observações frequentes de familiares, amigos ou colegas sobre alterações que o próprio paciente não identifica