Mulheres jovens enfrentam maior risco de mortalidade por infarto
Especialista alerta para sintomas menos conhecidos que atrasam o diagnóstico precoce

As doenças cardiovasculares começam a ser observadas de forma mais frequente nas mulheres, inclusive nas faixas etárias mais jovens. Dados do registro internacional ISACS-TC (Pesquisa Internacional de Síndromes Coronarianas Agudas em Países em Transição), que avaliou mais de 14 mil pacientes com síndrome coronariana aguda, mostram que o público feminino com até 45 anos apresentou piores desfechos e maior risco de mortalidade em comparação aos homens da mesma idade.
O resultado preocupa especialistas não apenas pelo avanço dos indicadores, mas também pela forma como o infarto pode se manifestar dificultando a identificação precoce e atrasando o atendimento. Ao contrário da dor intensa no peito frequentemente associada ao quadro masculino, mulheres podem apresentar sintomas menos característicos, como cansaço intenso, falta de ar, náuseas, desconforto abdominal ou sensação inespecífica de mal-estar, manifestações que muitas vezes são confundidas com problemas gastrointestinais, ansiedade, estresse ou exaustão física.
Para o Coordenador Nacional de Cardiologia da Rede Total Care, Felipe Malafaia, essa diferença nos sinais contribui para desfechos das análises clínicas. “Existe um desafio histórico no reconhecimento do infarto na mulher. Muitas pacientes não apresentam o padrão clássico de dor torácica e acabam demorando para procurar atendimento ou têm seus sintomas inicialmente associados a outras causas. Quando falamos em saúde do coração, o tempo conta muito. Quanto maior o atraso no diagnóstico, maior o risco de complicações e mortalidade”, afirma.
Além dos indicativos menos evidentes, o especialista destaca que fatores como obesidade, hipertensão, diabetes, tabagismo, sedentarismo, histórico familiar e estresse têm ampliado a preocupação antes mesmo da menopausa.
Um estudo publicado em 2025 nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia, conduzido pelo Instituto Dante Pazzanese com mais de 5,5 mil pacientes internados por síndrome coronariana aguda, identificou hipertensão, excesso de peso e diabetes entre os principais fatores associados aos eventos cardíacos no país.
Para Felipe Malafaia, a ideia de proteção natural da mulher jovem contra doenças do coração ainda contribui para atrasos no acompanhamento preventivo e na identificação precoce dos riscos. “A prevenção precisa anteceder o aparecimento dos sintomas. O monitoramento da pressão arterial, o controle metabólico, hábitos saudáveis e a atenção a sinais pouco valorizados fazem parte de uma estratégia contínua de cuidado cardiovascular feminino”, conclui.