Sala de Imprensa

Hospital Pan-Americano

 

Mortes por hantavírus em navio levantam alerta: especialistas explicam se há risco para o Brasil 

Infectologistas esclarecem por que surto registrado em embarcação que saiu da Argentina não representa ameaça de pandemia nem transmissão sustentada no país 

Rio de Janeiro, RJ - O surto de hantavírus registrado em um navio que partiu de Ushuaia, no extremo sul da Argentina, rumo à África, reacendeu dúvidas sobre os riscos da hantavirose e a possibilidade de disseminação internacional da doença. Três pessoas morreram durante a viagem, que levava 149 passageiros e tripulantes pelo Oceano Atlântico

A hantavirose é uma doença infecciosa causada por vírus transmitidos principalmente por roedores silvestres. A infecção humana ocorre, na maioria dos casos, pela inalação de partículas presentes na urina, fezes ou saliva desses animais, especialmente em ambientes fechados, pouco ventilados ou em áreas rurais.

Embora os casos sejam considerados raros, a doença preocupa pela alta taxa de gravidade. Nas Américas, incluindo o Brasil, a principal manifestação é a síndrome cardiopulmonar por hantavírus, quadro que pode evoluir rapidamente para insuficiência respiratória grave.

Os sintomas iniciais costumam ser inespecíficos, o que dificulta o diagnóstico precoce. Febre persistente, dor de cabeça intensa, dores musculares e sintomas gastrointestinais podem surgir nos primeiros dias, frequentemente acompanhados por queda das plaquetas. Em seguida, alguns pacientes evoluem com falta de ar, baixa oxigenação e edema pulmonar, situação que pode levar à morte em poucos dias.

Segundo a coordenadora de infectologia da Rede Total Care, Paula Vidal, o comportamento epidemiológico da doença no Brasil permanece estável.

“Baseado nos dados epidemiológicos mais recentes do Ministério da Saúde, a hantavirose no Brasil mantém um padrão estável, com casos esporádicos e predominantemente rurais. Não há sinal de crescimento abrupto ou de transmissão sustentada entre pessoas no país. Os surtos de hantavírus são relativamente raros e geograficamente localizados. O aumento da população de roedores silvestres, associado ao desmatamento desordenado, à expansão urbana sobre áreas rurais e às grandes áreas de plantio, favorece a interação entre humanos e esses animais”, explica.

A especialista destaca ainda que existem diferentes espécies de hantavírus circulando no mundo. A maioria delas, incluindo as presentes no Brasil, não apresenta transmissão entre pessoas.

A cepa identificada no surto do navio é a chamada cepa Andes, encontrada principalmente na Argentina e no Chile. Trata-se de uma exceção entre os hantavírus, já que pode ocorrer transmissão interpessoal em situações muito específicas, especialmente entre contatos íntimos e prolongados. Essa variante, no entanto, não circula em território brasileiro.

Para a infectologista do Hospital Pan-Americano, Roberta Espírito Santo, justamente essa limitação da transmissão impede qualquer cenário pandêmico.

“Trata-se de uma doença na qual o ser humano é um hospedeiro acidental e não participa da cadeia de transmissão de forma relevante. A ausência de transmissão interpessoal sustentada, associada à dependência de um reservatório animal específico e sua distribuição geográfica impedem que o vírus adquira comportamento pandêmico. Mesmo nos cenários em que há transmissão entre pessoas, ela é limitada e não se mantém em larga escala populacional”, afirma.

Atualmente, não existe tratamento antiviral específico para hantavirose. O manejo é feito com suporte clínico intensivo, incluindo hidratação, monitoramento respiratório e cuidados hospitalares conforme a gravidade do quadro.

Embora o cenário brasileiro permaneça sob controle, medidas preventivas são consideradas fundamentais, especialmente em regiões rurais, áreas agrícolas, galpões, depósitos e locais fechados onde possa haver circulação de roedores silvestres. A principal forma de proteção é evitar contato com secreções e ambientes contaminados.

Como reduzir o risco de infecção por hantavírus ??????

O episódio envolvendo o navio é considerado um evento localizado, associado a uma exposição ambiental específica e sem evidências de transmissão sustentada entre pessoas. 

Para as infectologistas, o principal desafio segue sendo a vigilância em áreas rurais e a conscientização da população sobre formas de prevenção. Confira como reduzir riscos de infecção:

* Evitar contato com roedores silvestres e seus excrementos 
* Armazenar alimentos em recipientes fechados 
* Não deixar restos de comida expostos 
* Vedar frestas e buracos em casas, galpões e depósitos 
* Evitar varrer ambientes fechados com poeira acumulada 
* Umedecer o local com água e desinfetante antes da limpeza 
* Usar luvas e máscara durante a higienização 
* Manter celeiros e depósitos organizados e livres de restos de grãos 
* Evitar dormir diretamente no chão em áreas de mata ou acampamentos 
* Nunca tocar diretamente em roedores mortos 
* Notificar casos suspeitos às autoridades de vigilância epidemiológica 

Sobre a Rede Total Care??????

A Rede Total Care, do Grupo Amil, é um conjunto de hospitais e serviços de saúde que tem como missão oferecer uma assistência médica de alta qualidade, focada na inovação, eficiência e no cuidado humanizado aos seus pacientes. Com o objetivo de transformar a experiência no setor de saúde, a Rede Total Care proporciona um atendimento completo, desde a prevenção até o tratamento especializado, com a garantia de profissionais altamente capacitados e infraestrutura de ponta.