Frio, chuva e tempo seco: os efeitos das oscilações climáticas no organismo

As alterações no clima já fazem parte da rotina dos serviços de saúde. Fenômenos atmosféricos e oscilações climáticas, intensificados nos últimos anos por eventos como o El Niño, modificam padrões de temperatura, umidade do ar e volume de chuvas, criando condições que impactam diretamente o organismo e favorecem desde crises alérgicas até o aumento de doenças infecciosas. Organizações internacionais, como a OMS, já tratam os impactos das mudanças climáticas como um desafio crescente para a saúde global.
Embora muitas pessoas associem esse período apenas ao frio, os efeitos para a saúde envolvem uma combinação mais complexa, marcada por oscilações bruscas de temperatura, aumento da umidade em alguns dias e períodos prolongados de tempo seco.
É justamente nesse contexto que diferentes problemas de saúde tendem a se tornar mais frequentes nesta época do ano. Ambientes mais fechados e com menor ventilação favorecem a circulação de vírus, enquanto a umidade contribui para a proliferação de mofo e fungos dentro de casas e escritórios. Ao mesmo tempo, a baixa umidade do ar resseca as vias respiratórias e aumenta a concentração de poluentes e partículas irritantes.
Entre os quadros mais comuns desse período, estão as crises alérgicas. Crises de rinite, por exemplo, costumam provocar espirros, coriza, obstrução nasal e irritação ocular mesmo sem a presença de resfriados. Já a asma, doença inflamatória crônica das vias respiratórias, pode causar tosse persistente, chiado no peito, falta de ar e sensação de aperto torácico.
Como muitos sintomas são semelhantes, crises alérgicas podem ser confundidas com infecções respiratórias virais ou bacterianas, especialmente nesta época do ano. Uma diferença importante é que quadros alérgicos normalmente não provocam febre. Quando esse sintoma aparece associado a manifestações respiratórias, é importante buscar avaliação médica, principalmente no caso de crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas.
Os efeitos das oscilações climáticas, porém, não se limitam às doenças respiratórias e alérgicas e também favorecem o surgimento de doenças infecciosas. Estudo recente da Fiocruz publicado na revista Scientific Reports, do grupo Nature, aponta que eventos extremos, como ondas de calor e alterações no regime de chuvas, vêm ampliando a circulação da dengue em diferentes regiões do país.
Os impactos ainda podem atingir a pele. Pessoas com dermatite atópica frequentemente apresentam piora importante durante períodos de baixa umidade ou mudanças bruscas de temperatura, com ressecamento intenso, coceira e surgimento de lesões que favorecem infecções secundárias.
Embora os extremos climáticos representem um desafio crescente para a saúde, algumas medidas ajudam a reduzir complicações. A vacinação contra influenza continua sendo uma das principais estratégias para prevenir casos graves e hospitalizações. Manter ambientes ventilados, controlar a umidade dentro de casa, higienizar locais com mofo e manter boa hidratação são cuidados importantes para reduzir complicações associadas ao período.
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https://www.nature.com/articles/s41598-024-56044-y#Sec7 – estudo citado