Por que algumas pessoas infartam mesmo com colesterol controlado
Especialista aponta fatores genéticos, metabólicos e comportamentais que influenciam o risco cardiovascular
Durante décadas, a estimativa do risco de infarto se baseou em fatores já conhecidos, como idade, pressão alta, diabetes e colesterol elevado. Embora continuem sendo fundamentais, esses indicadores sozinhos, hoje, não explicam todos os casos de doença cardiovascular.
Atualmente, a cardiologia incorpora novas informações para refinar essa avaliação, incluindo aspectos relacionados ao estilo de vida, condições hereditárias, além de marcadores genéticos específicos.
Para o cardiologista Miguel Antonio Moretti, do Hospital Vitória Anália franco, fatores como genética, gênero e hábitos culturais influenciam diretamente o risco. "A principal mudança na avaliação do risco cardiovascular está no maior conhecimento sobre as características da população à qual o indivíduo pertence".
Entre os marcadores que passaram a ganhar atenção está a lipoproteína(a), ou Lp(a), partícula definida principalmente pelo gene e associada a um maior risco cardiovascular. O cardiologista também ressalta que a estimativa de risco deve ser entendida como uma probabilidade, e não como uma previsão definitiva. "Por exemplo, uma pessoa com colesterol controlado pode sofrer um infarto, assim como alguém classificado como de maior risco pode nunca desenvolver a doença.”
Mulheres ainda enfrentam desafios no diagnóstico
Embora sejam responsáveis por cerca de um terço de todas as mortes femininas no mundo, de acordo com a OMS, as doenças cardiovasculares ainda são subestimadas entre as mulheres. Segundo Miguel Antonio Moretti, além das diferenças relacionadas aos hormônios, os sintomas femininos podem se apresentar de forma menos típica do que nos homens. “Enquanto eles costumam relatar uma dor intensa no peito, elas podem manifestar outros sinais, como falta de ar, fadiga, náuseas e tontura.”
Mesmo assim, o especialista ressalta que controlar os fatores de risco tradicionais continua sendo a principal forma de prevenção. “Alimentação equilibrada, atividade física, controle do peso, evitar o tabagismo continuam sendo as medidas mais eficazes para reduzir o risco de infarto e outras doenças cardiovasculares”, conclui.