Como empresas podem transformar o enfrentamento à violência contra a mulher em estratégia de cuidado e retenção de talentos
Iniciativas corporativas de acolhimento mostram como o apoio às colaboradoras também fortalece a cultura organizacional e reduz impactos sobre a produtividade
Rio de Janeiro, RJ - Agosto é um mês de conscientização sobre a violência contra meninas e mulheres e reforça um debate que ultrapassa a esfera pública: qual é o papel das empresas na proteção de suas colaboradoras? Mais do que cumprir uma responsabilidade social, organizações têm estruturado políticas internas para acolher vítimas de violência e minimizar os impactos desse problema na saúde, na produtividade e na permanência dessas mulheres no mercado de trabalho.
No Grupo Amil, 77% da força de trabalho é feminina, e a companhia atua por meio do programa Cuidar, Proteger e Acolher, uma rede de suporte destinada às colaboradoras em situação de violência. A iniciativa oferece orientação jurídica e psicológica com profissionais especializados, acompanhamento social durante todo o processo e encaminhamento para serviços da rede de proteção, de acordo com a necessidade de cada caso.
Os resultados do programa demonstram a relevância dessa estrutura de apoio. No último ano, 69,2% dos atendimentos foram de natureza psicológica, enquanto 30,8% envolveram demandas sociais. Entre as principais situações registradas estão violência doméstica, assédio, violência sexual e conflitos familiares.
Os indicadores também evidenciam a efetividade da iniciativa. Mais da metade dos casos (53,8%) foi concluída após o acompanhamento da equipe multidisciplinar. O telefone foi o principal canal de atendimento, concentrando 38,5% dos contatos, o que amplia o acesso das colaboradoras ao suporte especializado. Os encaminhamentos ocorrem principalmente para psicólogos e assistentes sociais, conforme a complexidade e as necessidades de cada atendimento.
“Precisamos nos enxergar como parte importante do enfrentamento à violência, bem como do cuidado, da proteção e do acolhimento às mulheres colaboradoras de nossas empresas que vivenciam situações de violência doméstica. Além disso, também precisamos olhar para o cenário das mulheres negras, com deficiência e LGBTQIAPN+, que é ainda mais vulnerável, reforçando a importância de iniciativas corporativas inclusivas e preparadas para acolher diferentes realidades e necessidades”, destaca a diretora executiva de Pessoas do Grupo Amil, Renata Gusmon.
O impacto da violência contra a mulher também é percebido no ambiente de trabalho. Segundo a Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, do Senado Federal, 46% das mulheres que sofreram violência afirmaram que sua atividade profissional foi afetada, enquanto 42% relataram prejuízos nos estudos. Ao todo, cerca de 24 milhões de brasileiras tiveram sua rotina alterada em consequência da violência.
Especialistas apontam que situações de violência física, psicológica e sexual podem desencadear medo, ansiedade e estresse, comprometendo a saúde mental das trabalhadoras. Como consequência, há impactos na concentração, no desempenho profissional, na produtividade e até na permanência no emprego, demonstrando que a violência de gênero também representa um desafio para as organizações.
“Em um contexto em que saúde mental e bem-estar passaram a integrar as estratégias de ESG e de gestão de pessoas, programas como o Cuidar, Proteger e Acolher representam não apenas uma medida de proteção às colaboradoras, mas também uma ferramenta para reduzir os impactos sistêmicos da violência contra as mulheres fortalecer a cultura organizacional e contribuir para a retenção de talentos”, afirma Gusmon.
Sobre o Grupo Amil
O Grupo Amil, desde 1978, leva o melhor cuidado a milhões de pessoas por meio da Amil, com planos médicos e odontológicos que atendem a diferentes perfis de clientes, e da Rede Total Care, um sistema de saúde completo, integrado por 20 hospitais e mais de 80 unidades ambulatoriais.