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Hospital Ana Costa

 

Sono infantil: especialista orienta quando pais devem procurar ajuda médica

Pediatra do Hospital Ana Costa explica quando dificuldades para dormir deixam de ser passageiras e podem sinalizar problemas de saúde

 

          

Uma criança que ronca todas as noites, demora para pegar no sono ou passa o dia agitada pode estar dando sinais de que algo não vai bem. E, ao contrário do que muitos pais imaginam, problemas de sono nem sempre aparecem na forma de sonolência. Com frequência, podem se manifestam por irritabilidade, dificuldade de concentração ou queda no desempenho escolar, o que faz com que o problema passe despercebido.

Para a pediatra Mirian Valente, coordenadora do Pronto-Socorro Infantil do Hospital Ana Costa, em Santos (SP), a principal dúvida das famílias não deveria ser em que idade é preciso se preocupar, mas sim os comportamentos fogem do esperado para cada fase do desenvolvimento.

“O sono muda muito ao longo da infância. Um bebê acordar várias vezes durante a noite é normal. Já esse mesmo padrão em uma criança maior merece uma avaliação mais cuidadosa”, explica. O sinal de alerta está na presença de ronco frequente, pausas respiratórias, dificuldade persistente para dormir ou impactos perceptíveis na rotina da criança.

Quando o sono merece atenção

Segundo Mirian Valente, geralmente, as famílias oscilam entre dois extremos. Encarar dificuldades persistentes para dormir como algo normal da criança ou se preocupar excessivamente com comportamentos típicos do desenvolvimento. "Antes de pensar em medicamentos, é preciso entender por que a criança não está dormindo bem. Muitas vezes, ajustes na rotina, higiene do sono e estratégias podem melhorar", afirma.

Entre os problemas mais frequentes, são dificuldade para adormecer, dependência da presença dos pais e despertares noturnos. O ato de roncar também merece atenção, ele pode estar associado a apneia do sono infantil, principalmente quando vem acompanhado de pausas respiratórias, respiração pela boca, sono agitado ou suor excessivo.

A especialista destaca ainda que, diferente dos adultos, as crianças tendem a ficar mais irritadas, agitadas, impulsivas e desatentas, o que pode ser confundido com problemas comportamentais. Já na adolescência, a tendência a dormir mais tarde tem explicação biológica. Mudanças hormonais da puberdade atrasam o relógio interno do organismo, mas podem ser agravadas pelo uso de telas e pela irregularidade dos horários de sono.

Os impactos de uma noite mal dormida afetam atenção, memória, aprendizado e regulação emocional, além de estar associada a maior risco de excesso de peso e, em casos respiratórios mais graves, interferir no crescimento. "Não devemos tratar apenas o sintoma de não dormir. Precisamos entender a origem daquela dificuldade", ressalta Mirian.

Regularidade como ponto de partida

Em relação às mudanças mais importantes que as famílias poderiam adotar, a pediatra orienta a regularidade nos horários de dormir e acordar. "O cérebro infantil aprende muito por repetição e previsibilidade", diz. Reduzir estímulos e afastar telas do período noturno completa a recomendação, alinhada às diretrizes da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) para o sono saudável na infância e na adolescência.

Para a médica, o recado final é simples. "Dormir bem não é luxo e não é apenas descanso. O sono faz parte do desenvolvimento infantil. É enquanto dorme que a criança continua crescendo, organizando memórias, consolidando aprendizados e regulando funções importantes do cérebro e do organismo", afirma.