Carnaval seguro: alergia ao preservativo é fato ou mito na hora da folia?
Com ISTs em alta no país, infectologista da Rede Total Care reforça que a maioria dos casos de desconforto não é alergia e que abandonar a camisinha traz riscos à saúde

Rio de Janeiro, RJ-
Com o Carnaval se aproximando, fantasias, glitter e blocos já tomam conta das ruas, mas a Rede Total Care alerta que um item precisa ser indispensável durante a folia: o preservativo. Em um período marcado pelo aumento das interações de afeto, cresce também o risco de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), impulsionado pela queda no uso da camisinha e pela disseminação de mitos que afastam a população da prevenção.
Um dos mais comuns é o de que a alergia ao preservativo seria frequente. De acordo com a infectologista do Hospital Pasteur, Renata Orofino, essa percepção não corresponde à realidade. “A alergia verdadeira ao preservativo é rara. Apenas cerca de 3% da população apresenta alergia ao látex. Na maioria das vezes, o desconforto relatado após a relação sexual não está relacionado à camisinha em si”, afirma.
Sintomas como coceira, ardor, vermelhidão ou inchaço na região genital costumam ser atribuídos automaticamente ao uso do preservativo, mas podem ter outras causas. “É fundamental pensar em infecções pré-existentes, especialmente a candidíase, que pode causar prurido e vermelhidão mesmo antes da relação. O herpes genital também pode se manifestar inicialmente com alterações da sensibilidade”, explica a médica. Ela destaca que sinais como corrimento, feridas, vesículas ou ínguas são mais sugestivos de infecção do que de alergia. “A melhor forma de diferenciar é procurar um profissional de saúde, que fará a avaliação clínica e, se necessário, solicitará exames laboratoriais.”
Mesmo nos casos confirmados de alergia ao látex, não há motivo para abandonar o uso do preservativo. Atualmente, existem camisinhas masculinas produzidas com materiais como poliuretano ou poliisopreno, além do preservativo feminino, geralmente composto por poliuretano ou borracha nitrílica. “Essas opções oferecem a mesma proteção contra ISTs e gravidez, pois atuam como método de barreira, impedindo o contato direto entre pele e secreções”, ressalta Renata Orofino.
Durante o Carnaval, a resistência ao uso do preservativo ainda persiste, muitas vezes apoiada em justificativas equivocadas. “Há pessoas que utilizam a suposta alergia como desculpa para não usar camisinha por não gostarem da mudança de sensibilidade. É importante que o parceiro se imponha e não aceite essa justificativa, já que estamos falando de prevenção de doenças e de uma gestação não planejada”, reforça.
O alerta ganha ainda mais relevância diante do cenário atual das ISTs no Brasil. Dados do Ministério da Saúde mostram aumento expressivo dos casos de sífilis, especialmente entre homens jovens de 15 a 39 anos, além do crescimento entre gestantes. O HIV, embora apresente redução global, segue com aumento entre jovens de 15 a 29 anos, além de avanço entre a população idosa. Gonorreia e clamídia também registram crescimento significativo, enquanto HPV e herpes continuam com elevada prevalência na população.
Para quem vai curtir a folia e ainda tem dúvidas ou receios, a orientação é clara. “Quem quer aproveitar o Carnaval com responsabilidade precisa entender que o uso do preservativo é indispensável. Hoje existem diversas opções no mercado, com diferentes materiais, texturas e formatos. O Carnaval dura poucos dias, mas as consequências de uma infecção sexualmente transmissível ou de uma gestação não planejada podem durar a vida inteira”, conclui a infectologista.
Sobre a Rede Total Care
A Rede Total Care, do Grupo Amil, é um conjunto de hospitais e serviços de saúde que tem como missão oferecer uma assistência médica de alta qualidade, focada na inovação, eficiência e no cuidado humanizado aos seus pacientes. Com o objetivo de transformar a experiência no setor de saúde, a Rede Total Care proporciona um atendimento completo, desde a prevenção até o tratamento especializado, com a garantia de profissionais altamente capacitados e infraestrutura de ponta.